Rio

O mundo nunca vai ser o que queremos, pois não?
O mundo há de ser sempre aquele lugar manhoso onde ninguém é feliz, mas faz por isso. O mundo... o que é o mundo? O que é o mundo que não aquele amontoado de pessoas com que lidamos?
Os vizinhos.
Os familiares.
Os amigos.
Os colegas.
A pessoa amada.

O meu mundo é composto por isso. Mas, mesmo assim, não me chega.
Afinal de contas, de que me vale tanta boa gente quando nada se ouve delas?
(Pois...)

Começo a cansar-me deste sistema estúpido e rotineiro pelo qual as nossas acções se guiam - não há vida nos gestos e nem significado nas palavras.
Então, eu quero fugir. Desse sistema. Desse mundo!
Fugir para lugares mais elevados!...
Mas para onde mesmo? Com quem?

E se eu fugisse sozinha?
E se eu sonhasse sozinha?
E se eu me realizasse sozinha?
E se eu morresse sozinha?
Não ia ser o meu final feliz!

Mas, ultimamente parece que só fujo das pessoas! Estúpido, não é?
No entanto, isso vicia...
E não há ninguém me dê uma estalada quando digo que "sou feliz assim"! Talvez não seja feliz, mas também não vejo que o seja: à minha volta, seres egoístas e falsos. Mentiras. Um mundo canibalesco que zela pelos direitos humanos... :P
Destas criaturas, é fácil encontrá-las à fartura, mas é difícil (man)ter uma de confiança! E quando se a tem, tem-se a felicidade.
(Pelo menos é essa a minha teoria).

E é dessa felicidade e inocência que eu tenho saudades.
Das criaturas de confiança. De mim.
Fiquei algures perdida num tempo e num espaço onde tudo era perfeito. E o mais engraçado é que, dantes, até queria de lá sair!... Enquanto lá estive, esqueci-me que esse lugar era só uma fracção ilusória desta nossa realidade; quando de lá regressei foi o choque.

É que a "vida" dá-nos coisas e tira-nas logo de seguida! Injusto? Talvez essas coisas sejam só modelos que tenhamos que ter em conta quando começarmos a viver a sério...
Até agora é só um jogo sujo em que, além de brincarmos com os outros, somos vítimas de nós próprios.

Eu estou na parte em que o protagonista além de ser o pobrezinho renegado, já se renega! Mas que se lixe!... É que, depois, vem a parte em que ele, depois de muito chorar para encher um rio, pega num barquinho e parte para um lugar fixolas.
E não sei o que me espera assim que arranjar esse barquinho, mas não me interessa. Nem quero saber do barco. O que me interessa agora é o rio a ser traçado!

;-)

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