na esperança de que o seu Príncipe a ouvisse
e um dia ele apareceu...
(demasiado tarde)
No dia seguinte chorava a Príncesa no seu quarto
na esperança que alguém a raptasse
e o Cavaleiro apareceu..."
*
Quando te conheci, conheci a verdade que temia conhecer: és o tal. Mas não és meu.
Ninguém é de nínguém e eu como prova do meu amor por ti, fiz questão de entregar a minha alma a outro demónio. O mais tolo deles todos. Também com a sua sede por carne, mas lá o vou conseguindo enganar...
Não espero que percebas a minha decisão. Não porque o Amor é cego, mas porque tu nem olhos tens para ele, nunca os vi em ti. Tal como nunca te vi ao todo, só sombras nas paredes do meu quarto, apenas fantasmas nos meus mais nítidos sonhos.
Se algum dia me escapar, saberei reconhecer-te.
Se algum dia te beijar, também sei de cor o sabor da tua língua de serpente e o veneno com que me tens cativa. Ah, e as tuas palavras também! Palavras tão bonitas... Lembras-te de quando me apanhavas a chorar porque o parvo do Príncipe não sabia como me confortar? E de quando me abraçavas sem querer saber disso? E de quando te alimentavas das minhas lágrimas para ganhares olhos?
Pois eu hoje não consigo chorar. Hoje não consigo fazer ver-te o quão importante me és porque não sinto nada senão uma dor silenciosa. Quero berrar por ti, mas perdi os meus lábios na boca da Morte. Está a consumir-me...
*
Hoje conheci a verdade que temia conhecer: és o tal.
Mas não és meu, e é por isso que eu te amo.
Porque não te posso ter para sempre,
mas posso viver contigo para sempre.


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