Nómada


Talvez o mundo seja um lugar desconfortável, mas às vezes até encontro um cantinho jeitoso nas fronteiras de um amigo. Talvez esse amigo possa vir a expulsar-me, mas e daí o mundo é grande, não é? E eu (pelos vistos) não sou de ninguém, nem pertenço a nenhum lugar em especial. Por isso, tal como vou a pontapé, volto por convite! ;-)

Sou nómada. Sou feliz como posso, a alargar horizontes, a quebrar regras de insersão, a fazer amigos. De todos levo um pouco e deixo ficar um muito que não cabe nas malas de viagem: memórias.

Todos aqueles momentos - em que ri, em que chorei, em que fiquei sem reacção - e sentimentos sem correspondente, lembram-me aquilo que eu não quero: talvez esteja destinada a ser nómada.




Talvez isso seja bom, mas não quero continuar a dar o rabo a esta liberdade egoísta. Ontem nem um pontapé me deste, fechaste-me a porta na cara (e por pouco não parti o nariz!)... Mas como vês, não fui embora!

E quero que vejas, também, (se não fôr pedir muito que espreites) que o facto de eu abandonar os locais de crime passional, não faz de mim uma fugídia. Sou uma pessoa que sabe quando tem que ir embora e vai. E hoje não é o dia para isso! Talvez esse dia nunca chegue (que azar!)

Hoje quero que olhes para o que aí ficou de mim e percebas que não tens tudo. Esse muito que conheces, na verdade é um muito pouco. Eu estou ali, lá fora... como uma nómada que perdeu as malas.

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