O dia que não nasce, ft Angio
A cidade estava adormecida,
quando eu saí à rua...
Angio:
Enquanto a cidade estava morrendo,
da janela de meu quarto eu te via caminhar.
Oculto em sombras te observava admirar os que ali já não regressam
via-te imaginando pintando o céu
de um tom que todos podessem ver,
quase conseguia sentir o cheiro de tinta que pintavas
com teu sangue...
A cidade estava adormecida
Quando eu saí à rua.
Ou pelo menos só o carro da funerária passou,
Como quem passa simplesmente...
Angio:
Observando-te imaginava cada pensamento teu
delirava em cada sentimento que podesses estar sentindo,
sabendo que a solidão decorava tua sombra...
Talvez maior que eu,
Certamente maior que o Sol que não fazia
Quando a cidade acordou;
O carro da funerária desapareceu como quem acaba o seu turno
Ou espera pela sua vez de me vir recolher!
Angio:
Amanhece a cidade em meu olhar
e o frio de Dezembro congela meu respirar.
Na janela embaciada eu escrevo "Estou Aqui"
na esperança que um dia deixes a solidão, eu escrevo neste vidro imaginário para ti...
Consegues mesmo ver-me?
Para além das sombras?
Distinguir-me-ias entre os que já não regressam?
Eu vejo-te para além da janela,
Eu oiço os teus pensamentos
E eu grito-te, mas tu não me ouves...
Angio:
Consigo ver-te mesmo não te olhando.
Consigo destinguir tua sombra de tantas outras.
Ouviria teu coração parar de bater entre tantos outros...
Se realmente me vês,
verás que naquele vidro se encontram os meus ultimos versos
para ti,
pois o carro funerario desapareceu levando meu corpo consigo,
deixando apenas o meu fantasma escrevendo
para ti...
Ele é o meu melhor amigo,
Meu leal companheiro nestas horas de noite falsa...
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